OCULISTA DAS AVENIDAS

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O que é a visão

1. INTRODUÇÃO

Quando afirmamos que um indivíduo tem boa visão, podemos querer dizer que tem uma boa compreensão, inteligência, ou poderemos simplesmente ter em mente que a sua visão é tão boa que consegue distinguir uma matrícula de um carro a uma grande distância.

Quando afirmamos, "estou a ver" podemos querer dizer "estou a compreender", ou simplesmente que estamos a olhar para um determinado objecto.

Quando dizemos que uma determinada pessoa é cega podemos querer dizer que é desprovida de visão como sistema sensorial, ou que o seu julgamento ou o seu poder de decisão é pobre.

No livro de Jeremias, existe um verso que diz: "Não existe ninguém tão cego como aqueles que não vêem." Também existem alguns provérbios tais como "Onde não existe visão, as pessoas morrem". Através dos tempos estas palavras e os seus significados interligaram-se, VISÃO, INTELIGÊNCIA, OLHAR, COMPREENSÃO, JULGAMENTO, tornaram-se praticamente sinónimos.

Visão e inteligência estão mais relacionados do que nós podemos pensar. Felizmente, OPTOMETRISTAS e CIENTISTAS da VISÃO reconheceram tal facto e, durante muitos anos, dedicaram-se à investigação, da qual foram desenvolvidas muitas técnicas para o melhoramento da nossa VISÃO.

Por exemplo, durante a época da II Guerra Mundial, um dos grandes problemas era o risco de não estar apto a reconhecer o amigo do inimigo, Tal risco é particularmente verdadeiro com os pilotos da força aérea, e ainda mais verdadeiro actualmente. Dois jactos voando perto um do outro, a uma velocidade excedendo 500-600 milhas por hora, encontram-se visualmente durante apenas uma fracção de segundo, durante essa fracção de segundo, os pilotos têm de identificar o inimigo e agir rapidamente, dependendo de tal rapidez a vida ou a morte.

Cientistas investigadores e especialistas da visão desenvolveram métodos de treino para aumentar a velocidade de reconhecimento, de tal forma que aviões, amigos ou inimigos, possam ser reconhecidos num incrível centésimo de segundo. O TREINO DE RECONHECIMENTO que desenvolve a velocidade da visão, também desenvolve e aumenta a compreensão e a capacidade de aprendizagem.

Na prática diária, OPTOMETRISTAS treinam pessoas a ler com rapidez e melhor compreensão do que lêem. Foi estimado que em média uma pessoa lê 250 a 300 palavras por minuto, e compreende aproximadamente 50% a 70% do que lê. Após treino Optométrico, é normal duplicarem tais velocidades de leitura, de forma a que 500 a 600 palavras por minuto sejam habituais, com uma compreensão tão alta como 90%. Pensem o que tal significa para os estudantes adquirirem a sua educação, ou para o homem ou mulher profissionalmente.

Se a visão fosse algo com que já nascêssemos pouco poderíamos fazer por ela. Mas na realidade nós aprendemos a ver, tal como aprendemos a andar ou a falar, a única diferença é que qualquer problema na locomoção ou na fala, é facilmente reconhecido, enquanto que na visão não o é. Nós aprendemos a ver com todos os nossos sentidos (Paladar, Tacto, Audição, Olfacto e Visão) sendo todos eles combinados para, no fim, se transformarem em VISÃO.

Tudo o que é aprendido, pode ser desenvolvido. Uma criança não nasce com o conhecimento do que é uma laranja. Através do manuseamento ela aprende a sua textura e a sua forma; através do sabor, ela aprende se é doce ou ácida; através do cheiro, ela sabe que é agradável; através do som, ela ouve a palavra "laranja"; através da visão, ela junta tudo isto, acrescentando-lhe a cor e o tamanho. Após esta experiência com todos os nossos sentidos, ela pode olhar através da sala e não meramente ver, mas na realidade visualizar uma laranja.

A visão, como podem reparar, torna-nos capaz de manusearmos com a vista muitas coisas que não conseguimos atingir com as nossas mãos.

2. PARTE II

Esquema - O olho humano
Fig. 1 - O olho humano

Existe muito mais relacionado com o olho humano do que a sua simples acção como máquina fotográfica. Ambos, olho e máquina fotográfica, podem ser ajustados à intensidade luminosa, mas para além disso, não existe comparação possível. A máquina fotográfica é um brinquedo comparada com o olho humano.

Na realidade nós não tiramos fotografias com os nossos olhos. A imagem formada na retina, provoca impulsos nervosos, os quais vão até ao cérebro, onde a visão se efectua.

Diagrama de interpretação da visão
Fig. 2 - Diagrama de interpretação da visão

Esta figura, que é designada como DIAGRAMA DA INTERPRETAÇÃO DA VISÃO, foi concebida de forma a explicar o que está envolvido na visão, é a razão pela qual está tão fortemente relacionada com a compreensão e inteligência. Serve também para demonstrar que os cuidados visuais que o ser humano pode receber de um Optometrista são tão vitais durante o ensino, profissionalmente, nas horas vagas, e o seu importante na prevenção de acidentes, tornando mais completa e agradável.

A informação chega aqui, através dos olhos, na forma de luz reflectida dos objectos para os quais nós olhamos. A qual desencadeia um complicado processo.

Consciente ou inconscientemente, nós gastamos toda a nossa existência à procura de informação. Os nossos sentidos são as vias através das quais, toda a informação, ou conhecimento nos chega, e é claro, de que, de todos os cinco, a visão é a via mais rápida, na vasta cadeia que é o cérebro.

Ao olharmos para a figura, podemos notar que, a informação entra através dos nossos dois olhos. Estes olhos são instrumentos maravilhosos, potentes mas de formidável sensibilidade.

3. PARTE III

Diagrama de interpretação da visão - Um olho e seus controlos
Fig. 3 - Um olho e seus controlos

Quando olhamos para algo que atrai a nossa atenção, os nossos olhos devem apontar exactamente na direcção do objecto, através do uso dos seis pares de maravilhosos músculos, controlados separadamente. Podem notar na figura a vermelho, com o volante nas mãos, o qual representa o mecanismo de direcção. Esta figura opera através de impulsos nervosos pelo sistema nervoso VOLUNTÁRIO, representado pelos cabos de ligação e o painel vermelho. É designado sistema nervoso voluntário, porque está debaixo do controlo da nossa vontade. Nós podemos mover os nossos olhos para cima, para baixo, para a direita ou para a esquerda, tal como desejarmos. Pelo que localizamos e vemos, aquilo que nós queremos ver.

A pequena figura a azul com os óculos nas mãos representa o mecanismo de focagem das lentes dos nossos olhos. Trata-se de algo que não podemos controlar. Esta focagem é operada através do sistema nervoso INVOLUNTÁRIO ou autónomo, o qual é processado inconscientemente.

É óbvio que estas pequenas figuras servem meramente para demonstrar e simplificar o processo visual.

Diagrama de interpretação da visão - Ambos os Olhos e seus controlos
Fig. 4 - Ambos os Olhos e seus controlos

Observem agora os dois olhos e as quatro figuras, representando os seus controlos. Estes dois sistemas nervosos (voluntário e involuntário) têm de trabalhar em simultâneo, de forma a produzir o resultado desejado. Aqui, tal como em qualquer outra parte do nosso organismo, os dois sistemas trabalham em sequência, por exemplo, quando colocamos comida na boca, mastigamos voluntariamente, mas a partir do momento em que engolimos a comida, o sistema involuntário toma lugar, e a partir desse momento deixamos de ter qualquer controlo sobre a comida. Na visão, eles têm de trabalhar em conjunto. Este trabalho, em conjunto, cria problemas ao ser humano e ao Optometrista, em virtude de cada um dos sistemas estar ligado às outras funções do organismo. Estas quatro actividades, devem ser equilibradas nos olhos, onde a visão começa, ou os problemas surgem.

As lentes, que o Optometrista coloca em frente dos olhos, reajustam de uma forma directa a focalização, e dessa forma afectam o delicado balanço da visão. As mesmas lentes, por acção reflexa, podem muito bem afectar outras funções do organismo, por exemplo: pacientes por vezes queixam-se: "com os óculos que tenho usado, sinto-me mal do estômago", e muitos pacientes ficam espantados pelo facto de "uns simples óculos" por vezes oferecerem algo semelhante como miraculosas 'curas' a tensões nervosas e outros sintomas do organismo, não relacionadas com a visão.

Pode-se notar pela figura que não existe nenhuma ligação muscular entre os dois olhos. Cada um dos olhos encontra-se na sua órbita e estão separados um do outro por um osso. A única ligação para a actividade coordenada dos dois olhos encontra-se situada no cérebro, através do sistema nervoso. Contudo os nossos dois olhos trabalham em conjunto.

Esta acção foi por nós aprendida quando éramos ainda bebés. Originalmente os nossos olhos não trabalhavam em conjunto, mesmo hoje, alguns de nós sofremos de um ou mais dos muitos desvios ou problemas visuais, os quais nos causam baixos graus de eficiência na leitura, percepção, aprendizagem, ou de memória. Em alguns, a fusão é vagarosa e difícil, suprimem a visão de um dos olhos, em relação ao outro. Estes são alguns dos desvios ou falhas na operação do mecanismo visual.

A quase perfeita coordenação e equilíbrio são vitais para a facilidade de visão como também para evitar visão dupla ou enevoada, tensão nervosa, dores de cabeça, fadiga, etc. Mas, mais importante ainda, é a perfeição ou não da operação em conjunto que afecta a habilidade de compreender, aprender, armazenar conhecimentos e agir.

Agora observemos a parte posterior dos olhos. Aqui é onde a luz incide e é transformada de energia luminosa, numa forma eléctrica de transmissão nervosa representada pelas linhas em zig-zag. Podemos notar que nestes nervos ópticos existe um cruzamento, uma forma muito complicada de chegar a ambos os hemisférios do nosso cérebro. Poderíamos falar muito desta zona, mas todos nós concordamos que o único propósito de ver, é o de alimentar o nosso cérebro de informação. E para essa mesma informação ser de confiança, ela deve passar por um sistema ocular organizado, ajustado e coordenado, se a informação que nos chega não for de confiança, poderá causar alguns problemas.

Diagrama de interpretação da visão - Experiência e os Cinco Sentidos
Fig. 5 - Experiência e os Cinco Sentidos

A informação que nos chega tem de passar pelo departamento da EXPERIÊNCIA, porque só se já tivermos visto antes o objecto, ele terá significado. Recordemos a laranja, quando nós dizemos "laranja", a nossa memória vai buscar toda a experiência passada com laranjas. Muitos de nós podemos actualmente visualizar uma laranja e recordar o seu sabor e o agradável odor, tudo isto, é proveniente da experiência.

A experiência está ligada com todos os outros sentidos. Eles oferecem também o seu contributo, mas o mais importante é a visão; porque quando nós observamos um objecto, a nossa experiência do passado imediatamente nos informa se devemos comê-lo, admirá-lo, ou fugir dele; como podemos ver, a experiência combina todos os sentidos e recorda-nos de muito. A quantidade, a perfeição e a velocidade de disponibilidade da informação armazenada, depende da eficiência da nossa memória.

Diagrama de interpretação da visão - Experiência-Aprendizagem-Inteligência
Fig. 6 - Experiência-Aprendizagem-Inteligência

Aprendizagem é o armazenamento do conhecimento. Todos nós nascemos com a capacidade de aprender, mas tivemos que a desenvolver, e esta aprendizagem para ser correcta depende fortemente da experiência válida e da qualidade da informação que nos chega. O nosso julgamento e inteligência dependem da nossa aprendizagem e memória, bem como a nossa aprendizagem e memória dependem da nossa experiência. Não esqueçamos que a maior parte de tudo isto nos chega de fora, através do processo visual.

Agora podemos ver, ou podemos compreender, porque VER, e COMPREENDER, VISÃO, INTELIGÊNCIA, são ÚNICOS e INDIVISÍVEIS.

Podemos também compreender, porque é que a visão é tão vital em todos os momentos da nossa vida. Porque é tão importante ter este mecanismo visual a trabalhar em harmonia e com eficiência.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Através do conhecimento de todo o mecanismo do sistema visual, podemos compreender a seriedade do que pode ocorrer, devido à coordenação imprópria do processo visual. Por exemplo muitos acidentes de automóvel são atribuídos ao que se designou como 'erros de raciocínio', o que realmente se pretende dizer, é que a informação que chegou não era de confiança (qualidade), ou falhou devido a não ter chegado com rapidez suficiente. A experiência original não era de confiança, consequentemente o indivíduo não tinha aprendido da experiência, e por isso a inteligência falhou; isto é, o 'erro de raciocínio'. Acontece nos escritórios, nas fábricas, nas escolas e em casa por vezes, são chamados 'acidentes', 'enganos' ou 'esquecimento'. A civilização moderna coloca fortes exigências na capacidade de ver clara e eficientemente. Começando com a criança na escola, em toda e qualquer profissão, no dia-a-dia das donas de casa, e ao volante do carro. Nós passamos toda a nossa vida, do nascimento à sepultura, nesta constante busca de informação.

A visão não só afecta, mas controla toda a nossa vida. A OPTOMETRIA moderna, a arte e a ciência dos cuidados visuais. A prática da Optometria actual de acordo com os conceitos comportamentais e funcionais, não é apenas o estudo físico da luz, mas das funções de todo o processo visual do desenvolvimento da visão, e de como a visão pode ser treinada, de forma a permitir a eficiência máxima. Esta é a responsabilidade do Óptico-Optometrista para com a sociedade em que está inserido.

O Oculista de ontem, deu lugar ao homem da visão - o ÓPTICO-OPTOMETRISTA, constatando algo mais envolvido no bem-estar e no sucesso do que apenas a adaptação de um par de óculos de forma a aumentar a A.V.. Sem cirurgia, sem desconforto, através de lentes de treino, o Optometrista está apto a trabalhar através dos mecanismos dos olhos, o reajustamento do balanço e do conjunto de todo o sistema visual, para que a informação seja de confiança. A experiência é precisa, a aprendizagem é mais fácil, e a inteligência torna-se maior.

As lentes que usa não deverão ter apenas a potência correcta, mas também serem livres de distorções e aberrações. A qualidade óptica das lentes, não deverá trair a intenção da prescrição. Estas deverão ser colocadas na posição própria em frente dos olhos. Apenas com o uso das lentes é possível ao Óptico-Optometrista atingir um certo ponto de eficiência, para atingir níveis mais elevados será necessário o uso de treino visual e a denominada Optometria Comportamental.

Todos nós consideramos normais lições de música, natação, etc, no entanto deveríamos dar muito maior importância e valor às lições de VER.

Poderemos também finalmente compreender a razão pela qual o ÓPTICO-OPTOMETRISTA consciente encara o seu trabalho tão seriamente. Ele apercebe-se que não lida apenas com óculos ou olhos, mas sim com seres humanos e a sua felicidade. Pelo que em alguns dos gabinetes profissionais de Ópticos-Optometristas podemos ver afixadas mensagens, tais como: "Juntamente com a própria vida, a mais graciosa oferta de DEUS é a visão".

Optometric Extension Program
Traduzido e adaptado por José António Câmara O.D.

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